
O
clássico FLA – FLU de 1986 me impressionou, entrando para a história devido o
retorno triunfal de Zico. Um jogo em que o craque fez três gols, usando a
heterogeneidade para vencer aquela partida. O Galinho fez gol de cabeça, com
bola rolando e com a sua especialidade, o gol de falta, com o goleiro do time
adversário em uma letargia, atônico, sentindo na pele a inércia perante uma
física inexplicável de uma bola mágica que entrava lá onde a coruja dorme. Lima
Barreto que tinha uma verdadeira ojeriza pelo football, devido o seu
estrangeirismo no início do século XX, certamente mudaria suas concepções
absolutistas e ficaria encantado com a brasilidade e a identidade em uma tríade entre Flamengo, Zico e o Maracanã.
Seria
enriquecedor o olhar futebolístico e literário de Lima Barreto com o cronista e
centenário Nelson Rodrigues, ambos colocando
-o numa literatura prosaica, verídica, poética e nada fictícia para a
posteridade. Faltaria para todos os apaixonados pelas letras, adjetivos para definir
o Flamengo de 1981. Leandro, Andrade,
Tita, Júnior, Mozer, Nunes e Adílio, eram vistos como jogadores e craques que
usariam a camisa da Gávea com propriedade, mas a 10 sempre a identificação com
o Galinho, assim como o 10 do Santos sempre será a identificação de Pelé. Se
Rondinelli é o “deus” da raça, Zico é o espírito do Flamengo com garra,
determinação e vitórias e parafraseando o compositor Jorge Bem Jor, Zico é o camisa 10 da Gávea!
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