
Entre
1940 – 1941, Sartre cai nas mãos dos nazistas, e na prisão ele fez um estudo sobre
as obras dos filósofos Heidegger e Kierkegaard, fomentando uma literatura menos
abstrata, e cheio de ideias que consolidaram o “ser”, o elemento ser
existencial e total perante o nada e o vazio. Sua literatura, com vastos
textos, eram definidas por ele como síntese, contrapondo com o escritor Proust,
que curvava – se para a análise. Sua produção literária e filosófica ganhou
respeito por muitos na França e visibilidade, mas Simone de Beauvoir escreve:
“Se fosse necessário, ele teria se disposto a manter – se anônimo: o importante
era que suas ideias prevalecessem”. Ideias que acabou gerando discordância e
distanciamento de Albert Camus e Merleau – Ponty, devido as suas sínteses
subjetivas. Sartre explora o teatro para o entendimento através da
dramaticidade e da filosofia, não de uma forma dissertativa, mas como característica
de Hegel, totalmente representativa.
Os
seus estudos tinham como leitmotiv a filosofia da fenomenologia –
existencialista alemã para o exercício da dialética entre a literatura de
Flaubert e Sartre. Segundo Sartre: “Flaubert representa para mim exatamente o
oposto de minha concepção de literatura: desengajamento total e uma determinada
noção da forma que não é exatamente a que admiro [...] Ele começou a fascinar –
me exatamente porque o via como o contrário de mim mesmo”. O pensamento
sartriano é vanguardista para a compreensão intelectual total, pluralizar as
ideias, algo pertinente e atemporal. Sua visão política era vista com
entusiasmo em tempos de Guerra Fria com os movimentos revolucionários em Cuba,
Argélia e Vietnã, países do “Terceiro Mundo” em evidência no contexto da
política internacional e fundamentais para o desenvolvimento da sua literatura
– filosófica.
Na
década de 60, Sartre encontra – se com o historiador e amigo Raymond Aron para
o entendimento do materialismo metafísico, ou seja, a compreensão e o pensar
sobre as coisas materiais numa vertente filosófica e o estudo do precursor do
materialismo filosófico, o alemão Husserl. Seu engajamento foi essencial para a
compreensão histórica e a-histórica do homem numa perspectiva humana e dialeticamente
possível com o Partido Comunista Francês e jocosamente perante os escritores
Camus e Merleau – Ponty, distanciando – se de ambos. Sua postura de relativizar
as ideias favoreceu o próprio exercício da dialética, com uma perspicácia,
perante o pensamento a – histórico de Claude Lévi – Strauss e o avanço da
História, no mínimo, como dúbia, retrograda e sem sentido, claro, um crítico
proeminente da esquerda, incomodou um intelectual de esquerda como Sartre, que
buscava, segundo o filósofo Mészaros, uma visão “caleidoscópica” e passivo de
inter – relacionamento das dicotomias como “ser/nada”, “possiblidade/necessidade”,
“Em – si/ Para – si” para o exercício dialético, não possível de ser
compreendida por um antropólogo como Lévi – Strauss por ter sido conservador,
no que se refere ao conhecimento histórico e o pensamento filosófico. Sartre
tinha uma bandeira metafísica e vanguardista, característica peculiar dos que
estão à frente do seu tempo. A incondicional busca da liberdade, que nasce
através do pensamento livre. Um exercício sui generis daquele que foi hors –
concours no seu tempo.
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